Domingo, 13 de Novembro de 2011

Os Portões da UTAD - 2003

A última vez os estudantes e a Associação Académica da UTAD fecharam os portões da Universidade, foi em 2003, em protesto contra a Lei de Financiamento do Ensino Superior. A propina, até então, era dum num valor equivalente a um salário mínimo nacional (350€) e passava a ser um valor definido pelo Senado da Universidade entre 1,3 Salários Mínimos Nacionais e um Valor Máximo de Propina, calculado em função da propina de 1200$00 de 1942, actualizada à data com base no índice de preços no consumidor. Isto é, na prática, a propina passou de 350$ para um valor que variava entre 600-700€. Duplicou.

Quem alterou, e tinha poderes para alterar a Lei era a Assembleia da República. O Senado e o Reitor, tendo que cumprir a lei, definiram que o valor da propina a pagar seria de 1,3 SMN, isto é o mínimo permitido por lei. Na altura, sem que a situação fosse cabalmente explicada, aprovou-se uma moção que dizia que os estudantes da UTAD iriam manter os portões da UTAD fechados até que o Reitor voltasse a baixar as propinas. Como o Reitor não tinha o poder de baixar as propinas, os portões não abriram. Tinha-mos os canhões apontados para o sitio errado.

Os portões da Quinta estiveram fechados (selados) durante 15 dias. Houve professores que marcaram faltas nesses dias e estudantes que chumbaram por causa dessas faltas, assim como frequências a que toda a gente teve zero porque não apareceu. Os animais nas vacarias e afins foram alimentados a custo e trabalhos de doutoramento e de mestrada com meses e anos foram estragados. Contudo, o pior foi a péssima reputação com que ficamos na cidade e na opinião pública, pois a única mensagem que passamos foi que "Não Pagamos", sem fazer entender o que realmente se passava.

No final de 15 dias, numa situação insustentável, abriram-se os portões, os estudantes (e não só) foram directamente prejudicados, o valor da propina manteve-se a mesma e perdemos por completo a credibilidade e a capacidade de reivindicação. O Reitor, não tendo chamado a policia para abrir os portões (direito que lhe assistia), manteve face, a paz e ganhou a batalha que nós não soubemos travar.

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