Quinta-feira, 3 de Fevereiro de 2011

Estudantes vs Clientes


Ontem enviei uma carta aberta ao Magnífico Reitor da UTAD, Professor Doutor Carlos Sequeira. A transcrição dessa carta encontra-se no post anterior do Universus (Carta Aberta ao Reitor). Juntamente com essa carta solicitei uma audiência com o Magnífico Reitor relativamente aos Serviços Académicos da UTAD e à situação do SIDE. Aguardo resposta.

No entanto, tive uma serie de "respostas" de alguns funcionários e até alunos que estando por dentro do que se passa ao nível técnico, tiveram a preocupação de me tentar explicar o que se passa na parte informática do problema. Houve ainda a disponibilidade por parte desses responsáveis para reunir connosco e explicar com algum detalhe os contornos das dificuldades sentidas. Sinceramente agradeço.

Contudo, penso que, em parte, fui mal entendido na intenção da carta aberta. O problema que se põe não é técnico, mas sim politico. Politico no sentido dos planos de acção e de contingência que claramente falharam, no que diz respeito à gestão académica da Universidade nas últimas semanas.

Podemos, e ate devemos, discutir a importância que o SIDE ganhou nos últimos anos. Desde do momento em que foi inicialmente criado por um aluno nosso, o Álvaro Lopes, como Sistema de Informação do Departamento de Engenharias (SIDE), ganhou logo um protagonismo ímpar pela sua utilidade e pelo seu potencial. Tanto que em poucos anos, e sem que tenha havido uma decisão politica real neste sentido, ele tornou-se uma peça fulcral na gestão académica da UTAD. Citando o Alvie, passou de "algo giro" a "indispensável" em pouquíssimo tempo.  Se associarmos isto à falência técnica de parte dos serviços académicos, temos a recita para um período de dores de cabeça anunciadas. ...mas isto é tema para outra conversa. Em suma, não sei se o caminho que estamos a seguir é o melhor em termos técnicos, mas não vou duvidar do empenho, competência ou dedicação de todas as partes envolvidas neste processo. Não é isso que está verdadeiramente em causa.

Num nível mais prático, o que está em causa foi a falha dum plano de contingência para uma falha catastrófica do sistema. Compreendendo que há alterações ao sistema que têm que ser feitas que são complexas e demoram tempo, não compreendo como é que não se salvaguarda algumas situações básicas. Por exemplo, uma das situações que nos deixou a todos à nora, foi a de não ter acesso aos horários. In extremis, bastava ter imprimido os horários e os ter colocado numa parede. 

Nos outros departamentos não posso dizer, mas no Dept. de Engenharias tenho a certeza que ninguém será prejudicado (gravemente) por causa da falha do SIDE, ou doutra situação análoga. É apanágio do "engenheiro" ser desenrascado, e têm-se encontrado soluções para mitigar as dificuldades sem prejudicar ninguém. Contudo, tudo tem limites.

O "sistema" trata-nos como clientes. Entende que os estudantes devem ter pouca intervenção na gestão da Universidade e por isso reduz os nossos números, o nosso poder de intervenção e, consequentemente, de reivindicação. Um dos argumentos utilizados para isso é que "nós estamos pouco tempo no sistema." Alias, um dos candidatos a Reitor, nas últimas eleições para a Reitoria chegou mesmo a designar os estudantes como sendo clientes. 

A teoria é discutível, tendo seus méritos e suas falhas, como muitas outras. Agora "se comemos a carne, temos que roer o osso."

Se as propinas fixadas são fixadas segundo a filosofia de compensar cortes orçamentais, num lógica de gestão de clientes, o nosso comportamento será a de exigir qualidade no serviço prestado. Não nós podem pedir para esperar uns anos até que o sistema estabilize, pois quando ele estabilizar, nós já seguimos o nosso caminho. Infelizmente, esse caminho é muitas vezes para fora da UTAD.

No fundo, a carta aberta é um escape da frustração dos meus colegas ao "sistema" que não lhes liga e aos seus representantes que não os representam. Somos todos capaz de mais, e melhor. É tempo de deitar mãos à obra e fazê-lo. A UTAD é nossa; dos estudantes, dos professores, dos funcionários, dos Transmontanos e Alto Duriense. É favor trata-la com o respeito que ela merece, por favor!

post scriptum:

1 - Pelos silêncios confrangedores e pelos olhares assassinos que sofri ontem e hoje devido a esta minha decisão "mais musculada" sinto que tive algum impacte, e congratulo-me por isso. De tempos a tempos é necessário recordar à UTAD qual é o seu "core business" e incentivar a reorganização das prioridades dos nossos representantes. Faço também aqui a minha mea culpa em não ter agido mais cedo, mas estarei mais vigilante a partir de agora.

2 - A indicação que me foi dada é que já estava prevista, há algum tempo, uma intervenção amanhã, que irá melhorar o desempenho do SIDE. Aguardemos.





  

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